Na revista científica Nature Review, de fevereiro de 2010, saiu um texto bastante interessante sobre ao grande volume de informação genética gerada pelos sequenciadores de nova geração. Principalmente como lidar com este volume imenso de dados. A cada dia a tecnologia nesta área esta ficando mais barata e acessível a vários centros, principalmente nos USA, mas também no Brasil.
O texto enfatiza que além de questões éticas, consideradas óbvias (para mim pelo menos) como a manutenção da identidade dos pacientes sob sigilo, principalmente da indústria de seguros saúdes, existe algo a mais a ser discutido, especialmente na área de pesquisa.
A quantidade de dados, como disse antes, é imensa e dificilmente uma equipe de pesquisa será suficiente para ter todos os insights possíveis. Assim, foi proposto a criação de um grande banco de dados onde estas sequencias fossem depositadas e sendo assim, de acesso de qualquer pesquisador, que tivesse disposto a analisá-las.
É exatamente sobre este assunto que gostaria de levantar questões. No Brasil, não consigo imaginar um cenário onde os pesquisadores depositassem seus dados brutos a disposição da comunidade científica. Em um país onde um equipamento público é tratado como privado e seu uso é “negociado” em troca de autoria em artigos, como é possível imaginar que os dados gerados por uma equipe serão disponibilizados para o grupo concorrente, mesmo que a equipe que gerou os dados não consiga extrair todas as conclusões que os dados podem oferecer.
Desta forma, temos muitas questões que deveriam estar na pauta dos principais congressos brasileiros. Entre elas: de quem são os dados gerados por um grupo de pesquisa? São do pesquisador? Da Universidade que proveu a infraestrutura? Da agência de fomento que financiou a pesquisa? Da sociedade Brasileira?
Na minha opinião estes dados deveriam ser públicos sim! Além disso, é urgente uma discussão profunda sobre autoria e propriedade intelectual no país. Se esta discussão não for feita pelos experientes catedráticos das principais universidades, ele deve ser levantada pela nova geração e pelos pós-graduados (principal mão de obra da ciência Brasileira), pois o tempo esta passando e o crescimento do Brasil, como potência é extremamente dependente de uma pesquisa e desenvolvimento regulamentada.
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Para quem tiver acesso, segue a referência:
Alan E. Guttmacher, Amy L. McGuire, Bruce Ponder & Kári Stefánsson. Personalized genomic information: preparing for the future of genetic medicine. Nature Reviews Genetics 11, 161-165 (February 2010)
Imagem extraída do site: http://www.junkscience.com