Na edição do dia 4 de março da revista Nature (464), foi publicado um editorial um tanto interessante. Este editorial faz um pergunta: “Os pesquisadores realmente precisam de doutorado?”. Esta é uma questão que se fez necessária pelo fato de que na China um grande centro de pesquisa genômica esta selecionando pesquisadores recém formados para realizar análises. Em pouco tempo estes pesquisadores estarão relatando estes dados nos mais importantes veículos de comunicação científica do mundo, como primeiro autor (diz o artigo), e consequentemente terão um currículo suficiente para pedir verba de pesquisas e desenvolver suas carreiras como pesquisadores.
Como podemos ver estes casos fazendo um paralelo com a realidade brasileira? De imediato, podemos pensar que estes pesquisadores seriam beneficiados pois, caso estivessem em nosso país, e se baseando que um dos mais importantes critérios de produtividade é o número de publicações de um pesquisador, estes cientistas teriam um vantagem competitiva diante de um pesquisador brasileiro. Porém não podemos esquecer para ser pesquisador no Brasil, na maioria das vezes este individuo precisaria estar dentro de uma universidade pública ou centro de pesquisa, o que seria um empecilho, pelo fato deste cientista não ter um mestrado ou doutorado (modelo seguido por quase todos os países).
Se a moda vai pegar e se somente a graduação e a prática é suficiente para moldar o carácter ético e o senso de responsabilidade pelos seus dados, passados por um orientador, ainda é muito cedo para dizer. Porém o mesmo centro de pesquisa já começou a trazer pesquisadores universitários para realizar palestras e cursos para esses mais novos pesquisadores. Melhor prevenir, não é verdade? .
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