Para quem ainda não assistiu ao filme GATTACA, irei fazer um breve resumo.
O filme se passa em um futuro não muito distante, onde indivíduos que nascem concebidos por vias sexuais são considerados inválidos, pois não passaram por uma triagem em que, através de técnicas de engenharia genética, são retirados fatores de risco para doenças como doenças cardíacas, obesidade, doenças renais, câncer, entre outras... Estes indivíduos, por terem maiores chances de apresentarem doenças, são discriminados e a eles são determinados empregos como o de faxineiros. Entretanto é mostrado um indivíduo que nasceu do amor de seus pais e que tem uma alta predisposição genética a doença cardíaca. Este indivíduo esconde sua identidade e consegue um emprego de destaque, sonhando ser astronauta. E assim a trama se desenvolve.
O filme se baseia no fato de que existem técnicas que são capazes, através de um simples fio de cabelo, determinar a identidade do indivíduo e sequenciar seu genoma em poucos segundos.
Quando GATTACA foi lançado em 1997, não tínhamos sequer conseguido sequenciar o genoma humano (o projeto teve início em 1990 e foi concluído em 2001) e o filme apenas tratava de um ficção científica. Entretanto nos dias de hoje novas tecnologias estão sendo desenvolvidas.
Em 2008 foram lançados os sequenciadores de alto desempenho, de várias empresas. Estes equipamentos tem a capacidade de sequenciar um genoma completo em 4 dias, mostrando assim, todas suas particulares, a um preço atual de aproximadamente 6 mil dólares.
Diante de tudo isso, começamos perceber que parte do que o filme GATTACA retrata, começou a se tornar realidade. Os equipamentos, já começaram a se popularizar nos EUA e logo começarão a fazer parte de pesquisa e diagnóstico de diversas síndromas genéticas. No Brasil tenho notícias que pelo menos 4 deles estão em operação (acredito que já existam mais).
Com a chegada destas tecnologias esta implantando o debate ético que trata o filme. Será que em pouco tempo equipamentos como estes (contanto que esta tecnologia irão avançar e consequentemente ficar mais baratas) não irão fazer parte de uma triagem para os departamentos de recursos humanos de empresas ou para empresas de planos de saúde, como já é legalizada hoje o exame toxicológico para algumas funções? Será que caminhamos para um futuro próximo aos demonstrado em GATTACA?
Estas respostas somente o tempo irá nos trazer, entretanto a tecnologia já é real. Espero que a discriminação e a realidade que são mostradas na ficção não caminhem na mesma velocidade que a inovação.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
domingo, 10 de janeiro de 2010
O detalhe que esta faltando...
O Blog do Marcelo Leite do último domingo (03/01/2009), comenta artigo do mesmo autor na versão impressa da Folha de SP, sobre o pesquisador Mohamed El Naschie. El Naschie é um físico egípcio com um grande número de artigos publicados e citações. Nos últimos anos descobriu-se que grande parte de seus artigos são publicados em uma revista em que ele é o editor e que ele cita a si mesmo de maneira exagerada em seus artigos, colocando em dúvida sua reputação. Marcelo Leite relata com muita competência essa história, no entanto são outros os fatos que que gostaria de comentar.
Tenho o hábito de ler os comentários dos blogs que frequento(a maioria sobre ciência, porém não só) e na grande maioria das vezes o que o brasileiro critica é a falta de investimento em pesquisa no país (no blog do Marcelo Leite não é diferente). Porém minha dúvida sempre foi: será que se hoje tivéssemos verbas ilimitadas para pesquisas teríamos publicações de altíssimo nível, que realmente iriam mudar a realidade de nosso país? Sinceramente acho que não basta. Acredito que ter uma melhor infraestrutura para pesquisa, com pessoas bem remuneradas é essencial. Principalmente para segurar as melhores mentes no país. Porém, quantos são os casos de grandes projetos em que o dinheiro é consumido e não existe retorno? Não por resultados negativos, que é inerente ao ato de fazer ciência, mas por falta de um planejamento adequado do projeto e de um problema cada vez mais gritante, a mal formação de recursos humanos.
Dessa forma, na minha opinião o grande problema do Brasil, seja em pesquisa, seja em muitas outras áreas, é o fato de que temos poucos recursos humanos preparados para realizar a gestão, tanto financeira como estratégica de projetos. Além disso, estamos falando de uma classe, que para muitos esta além do bem e do mal, se os docentes, que são a elite intelectual do nosso país, não conseguem pensar estrategicamente, quem conseguirá? É exatamente neste ponto que mora nosso principal equívoco. Esta elite esta muito bem preparada para lidar com seus projetos de maneira científica, para isso que foram formados e por isso que recebem prêmios e tem inúmeros artigos publicados. Entretanto ao serem aprovados para seus empregos de professores/pesquisadores muitos passam a acreditar que não precisam de uma formação em gestão. Isso geralmente acontece por dois motivos: 1- somente se o docente fizer algo realmente grave, como roubar algo da instituição, ser pego e condenado por seus pares (já que todas as comissões de uma universidade são formadas pelos próprios docentes), ele será demitido (ainda sim existirão recursos) e 2- os fundos para pesquisa sejam as fundações de fomento estaduais, sejam os fundos nacionais, tratam o projeto de maneira isolada e a verba como se fosse a fundo perdido. Um bom exemplo disso é que caso um docente não tenha resultado algum após 24 meses de projeto, isso não impede de ter seu relatório final aprovado. Além disso, caso este docente tenha publicações que não sejam referentes ao projeto, neste mesmo ano, mesmo que ele seja coadjuvante, isso o qualifica para receber verba novamente.
Assim, é por esta razão, que casos como a reitora da USP no ano passado, cairão no esquecimento. O caso é corriqueiro dentro da Universidade, onde muitas pessoas tem seus nomes envolvidos em trabalhos sejam pelo empréstimo de um equipamento, seja para dar certo poder ao trabalho. Assim, muitas vezes um pesquisador que tenha grandes publicações no início de sua carreira e tenha conseguido montar um bom laboratório, estará sempre envolvido em publicações, pois poderá emprestar um equipamento (que é público!) ou estar em um trabalho sem nem mesmo imaginar do que se trata aquele trabalho.
Estes fatos corroboram com a ideia que a classe docente, apesar de muitas vezes administrarem alguns milhares de reais (e de dólares públicos), não precisam se capacitar para isso.
Sou contra a intervenção direta da iniciativa privada na pesquisa, principalmente se tratando de pesquisa básica. Porém, sou totalmente a favor que pessoas que administram o dinheiro público tenham formação especializada para isso e que respondam por sua mal utilização (a falta do retorno esperado). Além disso, conhecimento multidisciplinar só engrandece as instituições e talvez quando aplicarmos uma pitadinha de gestão privada na universidade, pode ser que o Brasil realize pesquisas que mudem a realidade de sua população mais rapidamente.
Tenho o hábito de ler os comentários dos blogs que frequento(a maioria sobre ciência, porém não só) e na grande maioria das vezes o que o brasileiro critica é a falta de investimento em pesquisa no país (no blog do Marcelo Leite não é diferente). Porém minha dúvida sempre foi: será que se hoje tivéssemos verbas ilimitadas para pesquisas teríamos publicações de altíssimo nível, que realmente iriam mudar a realidade de nosso país? Sinceramente acho que não basta. Acredito que ter uma melhor infraestrutura para pesquisa, com pessoas bem remuneradas é essencial. Principalmente para segurar as melhores mentes no país. Porém, quantos são os casos de grandes projetos em que o dinheiro é consumido e não existe retorno? Não por resultados negativos, que é inerente ao ato de fazer ciência, mas por falta de um planejamento adequado do projeto e de um problema cada vez mais gritante, a mal formação de recursos humanos.
Dessa forma, na minha opinião o grande problema do Brasil, seja em pesquisa, seja em muitas outras áreas, é o fato de que temos poucos recursos humanos preparados para realizar a gestão, tanto financeira como estratégica de projetos. Além disso, estamos falando de uma classe, que para muitos esta além do bem e do mal, se os docentes, que são a elite intelectual do nosso país, não conseguem pensar estrategicamente, quem conseguirá? É exatamente neste ponto que mora nosso principal equívoco. Esta elite esta muito bem preparada para lidar com seus projetos de maneira científica, para isso que foram formados e por isso que recebem prêmios e tem inúmeros artigos publicados. Entretanto ao serem aprovados para seus empregos de professores/pesquisadores muitos passam a acreditar que não precisam de uma formação em gestão. Isso geralmente acontece por dois motivos: 1- somente se o docente fizer algo realmente grave, como roubar algo da instituição, ser pego e condenado por seus pares (já que todas as comissões de uma universidade são formadas pelos próprios docentes), ele será demitido (ainda sim existirão recursos) e 2- os fundos para pesquisa sejam as fundações de fomento estaduais, sejam os fundos nacionais, tratam o projeto de maneira isolada e a verba como se fosse a fundo perdido. Um bom exemplo disso é que caso um docente não tenha resultado algum após 24 meses de projeto, isso não impede de ter seu relatório final aprovado. Além disso, caso este docente tenha publicações que não sejam referentes ao projeto, neste mesmo ano, mesmo que ele seja coadjuvante, isso o qualifica para receber verba novamente.
Assim, é por esta razão, que casos como a reitora da USP no ano passado, cairão no esquecimento. O caso é corriqueiro dentro da Universidade, onde muitas pessoas tem seus nomes envolvidos em trabalhos sejam pelo empréstimo de um equipamento, seja para dar certo poder ao trabalho. Assim, muitas vezes um pesquisador que tenha grandes publicações no início de sua carreira e tenha conseguido montar um bom laboratório, estará sempre envolvido em publicações, pois poderá emprestar um equipamento (que é público!) ou estar em um trabalho sem nem mesmo imaginar do que se trata aquele trabalho.
Estes fatos corroboram com a ideia que a classe docente, apesar de muitas vezes administrarem alguns milhares de reais (e de dólares públicos), não precisam se capacitar para isso.
Sou contra a intervenção direta da iniciativa privada na pesquisa, principalmente se tratando de pesquisa básica. Porém, sou totalmente a favor que pessoas que administram o dinheiro público tenham formação especializada para isso e que respondam por sua mal utilização (a falta do retorno esperado). Além disso, conhecimento multidisciplinar só engrandece as instituições e talvez quando aplicarmos uma pitadinha de gestão privada na universidade, pode ser que o Brasil realize pesquisas que mudem a realidade de sua população mais rapidamente.
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