segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Só falta seguir...

No ultimo mês de julho, entre os dias 21 e 24 de julho, foi realizada a Segunda Conferência Mundial sobre Integridade em Pesquisa, na Republica da Cingapura. Na conferência foi lançado o chamado Manifesto de Cingapura, onde foram listados 13 princípios que devem permear a atividade científica.
Acho que este tipo de matéria deveria estar enquadrado na entrada de cada departamento das universidades Brasileira (e do mundo). Assim, aqueles que já seguem estes princípios poderiam relembrá-los sempre, evitando possíveis desvios de conduta. Já aos outros, que a conduta é pautada pelo desvio, poderiam tentar seguir caminhos mais saudáveis.
O interessante é que a maioria dos princípios é conhecida e estão nos discursos dos pesquisadores brasileiros, entretanto a prática não esta em sintonia com este discurso. Acredito que os princípios 8 e 12, são os menos “utilizados” no Brasil, na minha visão pessoal. Além disso, o item de número 12, quando não aplicado, gera um efeito em cascata destruindo a cadeia científica em sua essência e fazendo que outros princípios sejam perdidos.


O Manifesto de Cingapura

Abertura do Manifesto:

Pesquisa gera conhecimento que beneficia a humanidade. Os benefícios da pesquisa são extremamente dependentes da integridade do processo de investigação. Enquanto pode haver diferenças nacionais na maneira como a pesquisa é organizada e realizada, também existem valores universais que são fundamentais para a integridade da investigação. Um resumo dos valores fundamentais subjacentes a integridade da investigação é definido nos seguintes princípios, desenvolvidos para a discussão e possível afirmação na Segunda Conferência Mundial sobre Integridade na Investigação, Singapura, julho de 2010.

Definição

Integridade da investigação científica é definida como a confiabilidade da pesquisa, devido à solidez dos seus métodos, da honestidade e precisão de sua apresentação. Falta integridade à pesquisa quando seus métodos ou apresentação distorcem ou deturpam a verdade.

1. Honestidade

A honestidade é a marca da investigação responsável e do padrão primário para julgar todo o comportamento científico.

2. Desonestidade deliberada

A desonestidade deliberada na pesquisa tais como falsificação, fabricação e plágio, devem ser notificados e investigados. Quando confirmado, este ato deve ser levado ao conhecimento público e sanções apropriadas devem ser instituídas.

3. Políticas para responder a graves atos de desonestidade deliberada

Países, agências, instituições, revistas, e as organizações profissionais que têm compromissos importantes para a investigação científica devem criar mecanismos adequados para responder as notificações e para a proteção das pessoas que delatam de boa-fé, esse tipo de comportamento.

4. Praticas científicas questionáveis

A desonestidade deliberada não é a única ameaça à integridade da investigação. Descuido e outras práticas de pesquisa questionáveis que diminuíam a confiabilidade da pesquisa, como listar autores de maneira imprópria, não relatar um conflito de interesse significante, ou a utilização de métodos analíticos enganosos, devem ser evitados.

5. Autoria científica

A inclusão de autores em trabalhos científicos devem incluir todos aqueles e somente aqueles que cumprem as normas de autoria definida por jornais, associações profissionais, entidades financiadoras e/ou da(s) instituição(ões) de origem do(s) pesquisador(es). Todos os autores devem assumir a responsabilidade por obras (publicações, pedidos de financiamento, relatórios), emitidos em seu nome.

6. Créditos da publicação (Agradecimentos- Br)

Publicações deverão conter informações sobre todos os envolvidos na pesquisa, inclusive patrocinadores ou financiadores, escritores e funcionários que fizeram contribuições significativas, mas não por mérito da autoria.

7. Conflito de interesse

Os pesquisadores devem divulgar rotineiramente conflito de interesses, financeiros e não financeiros, em todas as propostas de pesquisa, publicações e comunicação pública, mesmo que não solicitado.

8. Administração de dados científicos

Os investigadores devem manter um claro registro exato de todas as pesquisas de uma maneira a permitir que outros pesquisadores a fim de verificar e/ou replicar o trabalho, possam fazê-lo.

9. Interpretação de dados

A interpretação dos dados e relatórios deve ser baseada em critérios objetivos e métodos de análises científicas adequadas.

10. Aderir a regulamentos


Os investigadores devem estar conscientes e aderir aos regulamentos do governo para uma investigação responsável, sobretudo as que regem o uso dos seres humanos e animais em pesquisas científicas.

11. Defensoria Pública


Quando envolvido em debates públicos sobre a importância e aplicação dos resultados da pesquisa científica, os investigadores devem limitar as suas observações profissionais para suas áreas de especialização e os distinguir claramente dos pareceres baseados em suas visões pessoais.

12. Ambiente de trabalho em pesquisa científica

As instituições de pesquisa devem criar ambientes que estimulem a integridade através da educação e do desenvolvimento de políticas claras, reduzindo as pressões que podem levar à desonestidade grave, deliberada ou práticas de pesquisa questionáveis.

13. Responsabilidade social


Pesquisadores e instituições de pesquisa têm a obrigação primordial de considerar os benefícios e os riscos para a sociedade em todos os aspectos do seu trabalho.

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Como a tradução foi realizada pelo autor deste blog, segue o site do evento onde os princípios foram redigidos. (clique aqui)
Sugestões quanto ao blog e quanto à tradução são bem vindos neste espaço.
Os textos deste blog são livres e podem ser reproduzidos, na integra, desde que citada à fonte.

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