sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Será que sempre o problema é com os outros?

Fiquei sabendo a poucas horas da demissão do técnico Muricy Ramalho do meu amado Palmeiras. Apesar de longe, tento acompanhar os jogos e tudo o que acontece em relação ao futebol brasileiro, simplesmente por paixão, que exerço com moderação.
Mas não vou escrever sobre futebol, longe de mim ter esta pretensão! Mas a partir do momento que me aproximei da área empresarial tenho percebido algo que com frequência esta nas característica dos “chefes”: eles adoram demitir.
Durante várias aulas de RH do MBA, os professores eram questionados sobre demissão, de como e quando faze-la. Isso me assustou um pouco, talvez pelo fato de não estar inserido totalmente no meio privado. Porém, sempre achei algo um tanto contraditório, alguem se matricular em um MBA, que teoricamente tem como objetivo o aprimoramento profissional e esta pessoa se aprimorar na gestão de custos, na gestão de marketing e dar menos importância na gestão de pessoas.
Em uma entrevista que muitos de vocês já devem ter visto na internet, o consultor Waldez Ludwig, no programa Sem Censura, relata que nas empresas atuais o bem mais valioso são os recursos humanos, ele ainda cita: “basta ver estas empresas de aviação com um patrimônio imenso e quebrando” (esse programa é de 2007).
Já tem algum tempo que revistas da área de carreira estão realizando pesquisas e alertando que tão grande quanto o desemprego é a falta de mão de obra capacitada e qualificada para cargos de gerência. A grande causa de tudo isso é uma escassez enorme de lideres. Quando alguns leem estas notícias não é difícil de pensar, vou fazer um MBA ou comprar alguns livros de auto ajuda para suprir esta demanda profissional. Entretanto para se tornar um líder é necessário muito mais que aulas de gestão de pessoas. É necessário uma mudança de comportamento enorme em alguns casos, além disso, não são raros os que confundem liderança com aquele chefe capataz (que esta ali só para “supervisionar” - como diz o Ludwig). A liderança é um exercício contante de aperfeiçoamento de nosso comportamento, onde a principal ferramenta é o feedback dado pela equipe.
Acredito que cada caso é um caso e muitas vezes o único caminho para um colaborador displicente e incompetente é a demissão. Entretanto uma análise sobre o comportamento do “chefe” também é sempre bem vinda. É importante saber se ele é capaz de motivar a equipe (para mim o principal requisito e muitas vezes a motivação não tem nada a ver com $$$), se ele delega as tarefas de maneira clara, se ele dá e recebe feedback da equipe, se tudo isso é realizado com respeito a pessoa e ao profissional colaborador e se existem todas as condições necessárias para a tarefa ser realizada.
Quando a gerencia começa a se auto avaliar com a mesma intensidade que avalia o funcionário, ganha o profissional de gerencia (“chefe”), o colaborador, a equipe e o mais importante, a empresa.

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